segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Capitulo XIV

John levanta de súbito. Uma onda de adrenalina percorre no seu corpo. Riley se questiona se todo aquele seu suor, não seria a água do mar que a pouco o engolia. Guinneverie não havia acordado com seu desespero. Isso era bom, de certo modo. Ela faria perguntas que ele não teria as respostas corretas para dar.
No móvel ao lado da cama, havia uma garrafa de rum ainda pela metade e nenhum copo. Ele se levanta e percebe que está nu. Vai andando até o banheiro no fim do corredor, saindo do quarto. Acho que tive uma boa noite, até.
John ainda tremia um pouco. Sua cabeça ainda mantinha o mesmo latejar dos últimos dias. Ele se encarava no espelho. O mesmo John desde que se lembrava. Achava incrível como estava presente em todos os momentos da sua vida, mas não acompanhava toda essa mudança. Jogou um pouco de água sobre seu rosto, para acordar. Notou que a água que caia de seu rosto, para a pia do banheiro, ficava levemente avermelhada. Quando tornou a olhar para o espelho, viu a fina linha de sangue que escorria de seu nariz, que se tornava mais nítida e larga. John pega um pedaço de papel higiênico e insere no nariz, para segurar o sangramento. Ele iria trocar aquele papel três vezes, durante a noite, até que o sangramento parasse.
Sentado no sofá, do andar inferior, John praticava as músicas do ensaio que tivera com Carolina. Eram 3:27am.
Enquanto deslizava seus dedos no ritmo de um leve slowhand blues, sua mente revivia seus últimos sonhos. Pouco se lembrava dos sonhos que tinha. Entretanto, esses tinham sido tão reais, que Riley duvidava da própria realidade no momento. Mas nada que não fizesse desde que acordara e descobrira um companheiro inoportuno. Guinne grávida, que coisa! Eu tive uma vida inteira em uma noite de sono. John sorria e refletia sobre as maravilhas de ser um pai. De não repetir as falhas que sofreu com seu próprio pai.
E a mágica de uma das músicas que o fazia lembrar muito de sua mãe. Algo um pouco mais acelerado (mas não muito), algumas batidas bem ritmadas, marcadas em contratempos dos compassos musicais.
De repente, John tinha novamente treze anos de idade. Era fim de tarde. Seu pai estava fora de casa, para variar. Sua mãe cantarolava uma música que saia do chifre de uma vitrola, que havia pertencido ao seu avô, algo que talvez fosse Johnny Cash. Mas ele não prestava tanta atenção ao som que saía do chifre. Ele ficava encantado com a própria mãe. Uma simplicidade que exalava dela, tornava o ato de cantar e lavar a louça, um verdadeiro espetáculo. E John o assistia, todos os dias.
Após isso, ele teria sua participação no show. Sua mãe o ensinaria os primeiros acordes. Os primeiros dedilhados. E ela cantaria quando ele tocasse. E o ajudaria na escolha da música que iria tocar para conquistar uma garota que ele não tirava da cabeça.
Agora John viajava no tempo. Tinha dezesseis anos, uma palheta, cinco reais e vinte e cinco centavos em seus bolsos, e seu violão nas costas. O suficiente para comprar um lanche, ou dois sorvetes. Tudo iria ser decidido depois dessa música. Ele contou da tal garota para a mãe, disse que queria fazer uma surpresa. Foi quando sua mãe lhe explicou o que entendia da filosofia da música. A música é como um turbilhão de sentimentos, ela dizia, você pode ter um interlúdio calmo e mudar completamente, do nada. E ainda voltar, mudar. A música deve ser carregada com sentimentos mutáveis. Um sentimento para quem escreve, um sentimento para quem a toca, um sentimento para quem a ouve. E se você consegue ser fiel ao que sente, esse turbilhão ganha uma única direção, e todos o acompanham. Só o que você precisa é amor, entende?, John balançava a cabeça afirmativamente. Não tinha como contestar o que a mãe dizia. E eu sei exatamente a música dessa sua surpresa, Johnny. Lembra aquele LP do Donovan? Aquele com umas decorações de flores. Pegue pra mim. Quando John o pegou, viu logo o que a mãe queria dizer. Lá estava o nome da garota. Guinneviere.  Alguém já se apaixonou por ela antes. Não é de se surpreender.
E John se lembrava muito bem do dia que fizera a surpresa para Guinnie. Naquele dia, ele voltara para casa com uma palheta no bolso direito da calça e seu violão nas costas. Enquanto que o rosto estava vermelho e a camisa manchada de sorvete.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Capítulo XIII

John tremia. Não só de frio. Mas o medo o acompanhava.
Eu já devia estar acostumado, pensava, tanto tempo, tanta relutância para me manter focado.
- Frio, John?
- Tanto quanto seu humor. - Sua cabeça latejava cruelmente.
Sentados sobre um banco de madeira à beira de um penhasco que abraçava, entre pedras, as águas de um mar azul. Hoje, o céu era cinza, assim como o papel em suas mãos. As mãos trêmulas de John.
- Por que eu?
- Ora, John! Achei que tivesse superado essa pergunta aos quatorze anos. Seu enceamento às pessoas era tão bom, que eu carregava pipoca enquanto lhe acompanhava.
- Sim, eu me lembro. - Sua voz era faca, quase um sussurro.
- Por que amassa tanto esse papel, rapaz?
John olhava firme para o horizonte. Suas mãos, em cima do colo, reduziam o papel em uma bola pequena, menor que uma moeda. Desviou seu olhar para a forma ao seu lado, que já não era ao que estava habituado. Havia uma garota pequena usando óculos, e o encarava como se ele fosse uma peça de estudo.
- Tenho o tempo que você precisar. - Ela disse.
- Eu não sei.
John voltou a observar o horizonte.
A garota avançou em direção a ele, parou ao pé de seu ouvido, disse algumas palavras e se levantou indo embora. John baixara a cabeça para o colo, desamassando o papel.
- Volte... - Repetiu, John.
Ao terminar de desamassar o papel, leu uma única palavra e a obedeceu.

                                    Pule.

                                                  R.
John sentia o medo, o frio, o vento cortante, a angústia, a revolta, a saudade e uma infeliz dor de cabeça. Por um infinitesimal instante, sentiu a água e as rochas.

domingo, 12 de agosto de 2012

Capítulo XII

Riley adentra em um estúdio novo, com a mesma missão de sempre: Gravar, editar, passar takes, fazer arranjos. Riley sempre achou charmoso o modo de como seu pai tocava o violão, e como era lindo ser um músico. Então, algo místico aconteceu: Pela primeira vez em sua vida, ele não escolheu, ele foi escolhido. A música, que ele a tanto ama, tanto preza e tanto venera, logo, o escolheu para ser seu porta-voz, e voz ativa.
Passando entre a ante-sala do estúdio, vê uma mulher de óculos, bebendo café, e fazendo anotações.
-Deve ter muita gente requisitando este estúdio! Ele pensa, enquanto começa a montar seu armamento...
E, depois de armar todos os jogos de palhetas, afinar, armar efeitos nos pedais e alçar a sua guitarra, lá está Riley, defronte ao vidro do estúdio, com um espumado nas paredes que lhe lembra as vezes que visitou seu pai no sanatório...Ele faz uma brincadeira idiota, mas, de tradição: Ele levemente se joga no estofado, até que uma mulher, o olha com um jeito diferente, como se gostasse da brincadeira (E a única que gostava, era Guinnie...). Ele ri, e diz:
-Bom, ao menos aqui é seguro contra quedas e derrapões!
-Sim, mas não acho certo repetir isso. o Senhor F. é muito metódico com organização e segurança; Você sabia que este prédio foi proj...
-...Sim, contra uma guerra! Mas, no Brasil, no máximo a Revolução de 32, e ainda sim só em São Paulo.
-É mesmo - diz a menina, encantada com a guitarra de Riley, sua grosseria e simplicidade, coisa da qual a Turquesa tirava de cor e número.
-Prazer, Carolina.
-Prazer, Riley!
-Ah! O rapaz das cordas, então é com você que irei trabalhar? Bem, temos muito por fazer, tenho que te passar as cifras e tablaturas de umas músicas, espero que as conheça...
E assim, Riley conheceu Carolina, seu gosto para música, e tocou pela tarde, e noite afora. Do outro lado da cidade, Guinnie volta da empresa de logísta no Centro com uma resposta positiva: Passou para a segunda fase, e resolve passar no armazém perto daquele velho prédio para comprar uma bebida e comemorar, são só Quinze para as onze, Riley tuma seu rumo para casa, e de repente, "alguém" se projeta sobre ele:
-E aí, bonita?
-Quem?
-Não se faça de bobo, Riley! Estou falando da garota do estúdio!
-Ahm, sim, mas, me deixe quieto hoje, estou com dor de cabeça...
-Dor de cabeça? Sei...Tudo bem, volto mais tarde. Álias, e a Ravena, como está?
-Que Rav...?
E como numa outra sombra que cruza a luz, "alguém" se desfaz, deixando Riley sozinho, e com enxaquecas na porta do prédio aonde mora!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Capitulo XI

John toma seu café, junto de Guinneviere.
- John, hoje eu tenho uma entrevista.
- Aonde?
- No centro. Uma empresa de logística.
- Mas não vai atrapalhar seus estudos?
- Vai e não vai. Se eu não for, meus pais já deram o últimato de que eu preciso conseguir o emprego, ou então eles não conseguiriam mais pagar a faculdade.
- Bom, boa sorte. - John olha para o copo vazio. - Só não sei quem vai lavar a louça.
- Você podia ser legal às vezes, sabia?
- Mas eu sou legal sempre. Você que não reconhece.
- Ok, John. Vou me arrumar.
Guinneviere se levanta da mesa, coloca os talheres sujos na pia, e volta para o quarto. John fica parado, ainda olhando o copo. Ainda revendo todos os momentos vívidos do sonho anterior. Durante o transe, ele se levanta, vai até a pia e começa o ritual de lavar a louça. Ensaboa. Enxagua. Ensaboa. Enxagua.
No fim do processo, John se depara com um bilhete amarelo na geladeira.
"15:00, estúdio RF".
- Guinne! - John grita.
- Oi? - Vem a voz de Guinneviere, do banheiro.
- Esse bilhete na geladeira, o que quer dizer?
- Ah, sim! Quase esqueço. Você tem gravação hoje, nesse estúdio. Parece que alguém viu você tocando no bar de noite, e quer que você faça uma participação em um albúm. Não sei, mas me parecia coisa maior que tocar em bar.
- E isso está marcado desde quando?
- Ligaram no sabado.
- Que dia é hoje?
- Nossa, John! Segunda.
- E você só avisa agora? Ainda porquê eu perguntei.
- Por isso eu tinha deixado o bilhete!
- Tudo bem. Termine de se arrumar antes que você se atrase!
John olha para o case de sua guitarra.
- Temos trabalho.



John sai, acompanhado de sua guitarra e Guinneviere. Após se separar de Guinne, John se caminha ao ponto de onibus, onde se senta e aguarda.
- Sabe John, essa é uma das poucos habilidades que eu admiro em você.
- O que? Esperar o onibus?
Neste momento, ele está sozinho no ponto.
- Sim, claro. Poucos conseguem fazê-lo. Estou falando dos seus dotes musicais, John.
- Meu onibus.
John se levanta, entra no onibus e se senta nos últimos bancos, onde consegue observar as pessoas que chegam e que passam na rua. Uma senhora carrega um saco de laranjas no banco da frente. Um garotinho fica olhando pela janela, admirado com o cenário passando em seus olhos. Na rua, uma mulher sacode uma toalha de mesa em frente a um bar. Uma garota anda apressada. Animais voam, correm, se escondem e saem do trabalho para o almoço. Tudo isso é o que se passa na mente de John, exceto um detalhe. Algo que ele é obrigado a concordar e refletir.
"A vida é aquilo que você faz dela".
Uma inscrição nas costas do banco da senhora com as laranjas.
John desce do onibus em frente a um grande prédio branco, um banco. Ao lado do prédio, há uma pequena porta preta com um toldo escrito "RF Studio".
- Vamos ver o que faço da vida.
John aperta o interruptor de uma caixa branca e ouve um pequeno apito.
- Quem é? - Diz uma voz através da caixa.
- Sou o John. Recebi uma ligação para uma gravação.
- Ah, o rapaz das cordas, certo?
- Isso. Eu acho.
- Espere um instante, meu jovem.
A porta faz um estalo, um trinco se abre. John ouve o barulho da chave girando, algo desliza, algo estala e uma série de sons metálicos ocorrem até que a porta se abre. Um senhor calvo, com seus poucos cabelos brancos e um par de lentes que cobrem boa parte do seu rosto encara John. O senhor limpa sua mão ossuda na camisa branca encardida e a estende para John.
- Bom dia, Sr. Riley! Quinze horas e sete minutos. O senhor não é tão pontual.
- Por sete minutos? - Riley se espanta com a primeira mostra de rigorosidade.
- O recado deixado à Sra. Guinneviere, que por sinal foi muito simpatica, dizia claramente que sua presença era requisitada às quinze horas.
- Mas...
- Não se preocupe. - Interrompe o senhor - Estou em tratamento por conta do meu metodismo. Mas que o senhor está atrasado, está.
- Entendo. Mas o seu nome seria?
- Perdão! Perdão! Me esqueci completamente dos modos! Isso me custaria um dedo se minha querida mãe estivesse viva! - John percebe a tremedeira do senhor enquanto fala quase atropelando as palavras. - Sou Roust Farr, filho de Carmelina Souza Farr, mulher falecida de meu pai, também falecido, Rauter Farr. E por favor, entre!
O senhor abre mais a porta, dando espaço o suficiente para John passar por ele. John se adianta e avança pelo batente da porta que é fechada assim que ele passa com o estalo metálico de várias trincas se fechando ao mesmo tempo.
- Por favor, Sr. Riley, por aqui.
Ele segue o senhor por um corredor de cimento queimado até uma escadaria, que os leva para o andar superior até uma porta de madeira maciça.
- Este é um prédio antigo. Um antigo abrigo que minha família construiu para se abrigar em caso de guerra. Mas num país tão imparcial quanto o nosso, nunca foi preciso utilizá-lo para o fim que foi feito.
Roust pega o um grande molho de chaves que estava pendurado em seu suspensório e o analisa com cuidado até que escolhe uma chave e abre a porta.

Capitulo X

"O mundo é mágico. Tantas coisas acontecem sem nos darmos conta. Tantas coisas acontecem e nos damos conta, mas não sabemos explicar.
Hoje, em especial, não sei explicar muita coisa. Hoje, em especial, já não sinto vontade de tentar explicar. Hoje, em especial, eu acordei, de novo, do mesmo sonho."
- Esses jovens, sempre vandalizando nosso patrimônio! - Diz uma senhora, observando as inscrições feita à tinta de caneta nas costas de um banco do ônibus. - Deve ser mais um desses drogados, na certa.
- Pois é. - Ela respondeu.
- Vou te contar uma coisa, meu marido é polícia. Ele sabe a cara desses moleques que fazem essas coisas. Minha cunhada levou o sobrinho dela, filho da irmã dela, lá em casa. Meu marido só de olhar para a cara do rapaz já sabia que ele era um desses drogados que usa maconha e crack e cocaína. Com certeza deve ter um banco com os rabiscos dele. É o que eles fazem, sujam tudo.
- Pois é. - Ela respondeu.
- Uma jovenzinha assim, como você, ah, é de partir o coração saber pelo o que você vai passar. Vão te oferecer muito ainda dessas drogas, mas você é bonitinha, deve saber que não se pode usar isso, porquê é um caminho sem volta. Meu marido ia gostar muito de você. Você lembra de mim, quando eu era jovem também. E eu não usei drogas, então..
- E hoje está abrindo sua vida para uma desconhecida no ônibus, que não lhe fez nenhuma pergunta. O que prova sua carência, e faz com que eu tenha certeza de que seu marido não lhe dá atenção. Mas você gostaria que desse, por isso fala tanto dele. Cultos aos domingos na igreja católica, pela sua bíblia e suas roupas. E é católica desde criança, por isso é preconceituosa ao ponto de não ter reparado que fui eu que escrevi no banco.
A senhora observa a garota, estupefata e não consegue dizer nenhuma palavra.
- Eu desço no próximo. Com licença.
O mundo é mágico.
Ela desce, ajeita o óculos. Para no café da esquina. Expresso duplo sem açúcar. Um gole. Respira. Outro gole.
Enquanto isso, um senhor se levanta para pagar sua conta. Aliança de casamento cheia de marcas, mãos machucadas, uma camisa branca velha, e calças sociais que devem ser tão antigas quanto o próprio senhor. Um homem que faz trabalhos braçais, provavelmente em uma metalurgica, pelas mãos machucadas. Viúvo, pois a aliança lhe faz lembrar da mulher. Se ela estivesse viva, ele tomaria mais cuidado com o anel. Ainda não conseguiu a aposentadoria. Paga a própria bebida com algumas moedas.
É assim que ela vê o mundo. Causa e consequência.
Um mundo mágico.
Magicamente seu telefone toca.
- Oi, mãe.
- Carolina, você vem pro jantar de aniversário do seu pai?
- Tenho alternativa?
- Tem. Mas você sabe que seu pai vai ficar chateado se você não aparecer de novo. Você já não veio no jantar que fizemos para sua irmã. O que você tanto faz que te ocupa assim?
- É, não tenho alternativa. Eu vou, tchau mãe.
- Então tudo bem. Tchau, Carol.
Um gole. Respira. Outro gole.
Ajeita os óculos, vai até o balcão, paga pelo café e vai embora. Não sem antes reparar que a atendente tinha uma leve alergia no pescoço à corrente que ela insistia em usar.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Capítulo IX.

-Turquesa, Há quanto tempo não tomava teu café...
-Ah John, não exagera, ele não é tanto assim, vai!
-Poxa, mas eu gosto! É pecado gostar do café de quem se ama?
-Não, seu bobo.
E assim, as três e tantas da manhã, um casal unido se esquentando com o corpo, café, e em um abraço, que fazia de dois virarem um. John Riley, morou um tempo com seu pai, John Forman II, seu avô John Forman. Sua avó, Margot; Acordava seu pai e ele todos os dias, as 05:00 para fazer o café para os dois, e depois John pai levava John filho para o ponto do ônibus escolar, na Pedra de Outono. Era o ano de 2006, e John era novo, não entendia da vida. Tentara se matar uma vez, quando viu o Medo de perto, mas, foi ali que ele se amarrou de vez nele. Depois de sua condição mental ser baseada nos fatos de seus pais serem separados, John foi morar com seu pai. E lá, no litoral, ele a conheceu: Guinneviere, Morena, cabelo ondulado, pernas finas, pouca bunda, olhos lindos, seios fartos, ombros meigos e gentis, cintura feltra e um jeito..."discreto" de andar. Ela usava óculos, vestidos, e usava o cabelo desprendido. John, depois a que viu, só se masturbou pensando nela. Coisa essa que o Medo odiava ver.
-Bom dia Guinniev...
-Oi, tchau.
Basicamente, esses foram os dias dos dois, até que John foi embora, ninguém sabendo como, nem o porque. Anita, sua amiga, sentiu sua falta, Thea, guardava a medalha de São Jorge, que Riley a deu. Riley presenteou Martha com uma pulseira de sementes, e antes de ir embora, chamou ela, a sua Musa, Guinnie, para se despedir...
...Ela saiu andando. Guinneviere sentia todo o ar pesaroso ao seu redor, mas, nada dizia, nada falava, mantinha-se quieta, e soberana, como se aquilo fosse o normal do comum. Ela sentia falta do "gordinho bobinho" do cabelo lisinho, jaqueta jeans de três quartos e olhos verde-cinzentados que tanto lhe faziram bem, tanto lhe queriam, só que, agora, ela estava tão muito, e tão só. Deus, logo eles se reencontrariam, e engatariam um relacionamento mais lindo e digno que qualquer outro homem possa ver na terra. John & Guinnie, diziam os amigos do casal, completavam um ao outro.
E tudo isso, Riley observava olhando os olhos negros de jaboticaba dela, enquanto ela falava alguma minúcia, ou quando cuidava dele. E as vezes ela parava, fazia cara de medo, ou falta de compreensão, e dizia:
-O que foi?
-Nada...
-Certeza, John?
-Sim...Hey!
-O que foi?
-Eu amo você.