John tremia. Não só de frio. Mas o medo o acompanhava.
Eu já devia estar acostumado, pensava, tanto tempo, tanta relutância para me manter focado.
- Frio, John?
- Tanto quanto seu humor. - Sua cabeça latejava cruelmente.
Sentados sobre um banco de madeira à beira de um penhasco que abraçava, entre pedras, as águas de um mar azul. Hoje, o céu era cinza, assim como o papel em suas mãos. As mãos trêmulas de John.
- Por que eu?
- Ora, John! Achei que tivesse superado essa pergunta aos quatorze anos. Seu enceamento às pessoas era tão bom, que eu carregava pipoca enquanto lhe acompanhava.
- Sim, eu me lembro. - Sua voz era faca, quase um sussurro.
- Por que amassa tanto esse papel, rapaz?
John olhava firme para o horizonte. Suas mãos, em cima do colo, reduziam o papel em uma bola pequena, menor que uma moeda. Desviou seu olhar para a forma ao seu lado, que já não era ao que estava habituado. Havia uma garota pequena usando óculos, e o encarava como se ele fosse uma peça de estudo.
- Tenho o tempo que você precisar. - Ela disse.
- Eu não sei.
John voltou a observar o horizonte.
A garota avançou em direção a ele, parou ao pé de seu ouvido, disse algumas palavras e se levantou indo embora. John baixara a cabeça para o colo, desamassando o papel.
- Volte... - Repetiu, John.
Ao terminar de desamassar o papel, leu uma única palavra e a obedeceu.
Pule.
R.
John sentia o medo, o frio, o vento cortante, a angústia, a revolta, a saudade e uma infeliz dor de cabeça. Por um infinitesimal instante, sentiu a água e as rochas.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
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